A história da Breda Serviços começa em 1938, quando
Ítalo Breda tinha 14 anos e foi ser almoxarife das Empresas Reunidas São
Paulo-Paraná, levado pelo pai Luiz Breda, vendedor de ônibus importado
Volvo.
Um ano depois, sua responsabilidade aumentou: os sócios da Reunidas admitiram
seu pai como acionista e compraram a Auto Viação São Paulo-Santos.
Mais tarde, em 1946, terminada a II Guerra, Ítalo já estava formado
em Economia pelo Colégio Dante Alighieri e seu pai, Luiz, era um próspero
vendedor de pneus da marca Pirelli.
O conhecimento da língua inglesa foi importante para Ítalo, que
já se correspondia com a Bus Transportation, publicação americana
do setor de ônibus. Havia necessidade de importar ônibus para suprir
a frota.
Ítalo descobriu a oportunidade: passou a se corresponder com a Twin Coach,
fabricante de ônibus sediado em Kent, no estado de Ohio.
Faltava, porém, um investidor para bancar a compra. Foi nessa época
que seu pai apresentou-o aos empresários Tito Mascioli e Arthur Brandi,
donos da Viação Jabaquara, de São Paulo.
O dossiê técnico para importar Twin Coach foi entregue aos empresários,
que algum tempo depois compraram a Auto Viação São Paulo-Santos
e o passe de Ítalo. Deram 5% de participação à Ítalo,
na época com 22 anos, e mudaram o nome da empresa para Viação
Cometa, inspirados num cometa, símbolo da Empresas Reunidas São
Paulo-Curitiba.
Para desenvolver a importação dos Twin Coach, ele viajou para a
fábrica em kent. Depois, no Brasil, fez testes com a primeira unidade,
desembarcada no porto de Santos. Nessa época foi acertado com o técnico
americano a troca das engrenagens do câmbio para adaptar a relação
de marchas à operação em serra.
Em 1948, finalmente, vieram os 30 ônibus Twin Coach para a Viação
Cometa. Eram equipados com motor Fageol de 6 cilindros e 180 hp de potência.
Os técnicos da empresa queriam que fosse utilizado a versão equipada
com dois motores, um para o plano, outro para ser acionado no trecho da serra,
mas a sugestão não foi acatada. Os ônibus empregavam suspensão
com barra de torsão - um tubo de aço revestido interna e externamente
com borracha - que dispensavam mola com perfil semi-elíptico ou espiral.
Ítalo era chefe de tráfego na Viação Cometa e desenvolvia
um negócio paralelo: o transporte de alunos do Colégio Dante Alighieri,
em São Paulo, onde havia estudado. Era fim de 1949, início de 1950.
O sr. Tito Mascioli vendo que o negócio de Ítalo estava crescendo,
sugeriu o nome de um sócio. O mesmo não aceitou com um argumento:
como o pretendente não mexia com o ramo de transporte, ele teria de trabalhar
dobrado, recorda Ítalo, que contrapôs: "Aceito o senhor como
meu sócio". Tito Mascioli não quis.
Foi aí que Ítalo decidiu deixar a Cometa e abriu a Breda. Deixou
o emprego na Cometa mas não a participação acionária.
Perdeu o Colégio Dante Alighieri, que comprou frota própria, mas
ganhou outros clientes, entre eles Sion, Santa Maria e Madre Alix.
Por volta de 1955 a Breda já operava cerca de 30 ônibus quando novamente
"seo Tito", da Viação Cometa, surgiu para alentar a carreira
empresarial de Ítalo. Ele vendeu 82 ônibus- incluindo os 30 Twin
Coach - pedindo apenas a assinatura de Ítalo numas promissórias
e nada mais. A frota da Breda passou dos 100 carros e assumiu o transporte de
funcionários de uma empresa que estava começando no Brasil, a Volkswagen.
Seguiram-se outros fretamentos para indústrias: Petrobrás, para
transportar os petroleiros da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão,
SP, General Motors e Mercedes-Benz.
A operação GM começou em São José dos Campos,
em 1957. Foram transferidos de São Paulo 20 ônibus e montou-se uma
garagem local. Mais tarde, a fábrica de São Caetano do Sul fez o
mesmo: confiou à Breda a movimentação de todos os seus funcionários.
De 30 ônibus em 1953, a Breda, dez anos mais tarde, contabilizava 300 veículos,
250 deles transportando diariamente 25 mil passageiros de indústrias, refinarias,
colégios e escritórios.
As linhas cobriam São Paulo-Itanhaém-Peruíbe e São
Paulo-Viracopos, a primeira aproveitando principalmente o grande fluxo de turistas
em busca das praias nos finais de semana. A outra, destinada a passageiros de
linhas áreas internacionais.
O turismo complementava o ganho de escala. A Moore-McCormack trazia os viajantes
até o cais do porto de Santos, de onde partiam os ônibus especiais
da Breda para os chamados sightseeing - visita aos pontos turísticos de
São Paulo.
Na época a empresa trabalhava com auto-moças, bonitas funcionárias,
poliglotas, muitas delas de famílias abastadas que desciam de automóveis
último tipo e subiam nos ônibus para orientar os turistas em viagem
ao Brasil.
Na consolidação de objetivos, foi uma empresa ousada e bateu asas.
Criou um braço no Rio e se estabeleceu em Salvador, para atender funcionários
do pólo petroquímico de Camaçari.